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terça-feira, 18 de outubro de 2011

Confira programação completa do Evento Comemorativo de 10 anos do FONASC-CBH


PROGRAMAÇÃO


Dia 25/10 /2011 (terça-feira)
19h: Abertura
 Local: BASA Clube: Av. dos Holandeses, s/n, Calhau
Palestra Magna: A gestão das águas e a sociedade civil: qual é a contribuição do Ministério Público?
Palestrante: Sandra Akemi Shimada Kishi (procuradora regional da República da 3ª Região – SP)
Coquetel
 Atração Cultural (Bumba-meu-boi)


Dia 26/10 /2011(quarta-feira)

14h: Abertura dos trabalhos
Painel 1: Desafios Para a Implementação da Política Estadual de  Recursos Hídricos do Maranhão.
·         Prof. Lucio Macedo: A sustentabilidade do desenvolvimento econômico e a disponibilidade de água.
·         Edmilson Pinheiro: Os desafios da aplicabilidade da legislação das águas na visão da sociedade civil.
·         Thereza Christina Pereira Castro: Os novos caminhos para a governança das águas no Maranhão.

15h: Café

15h15: Debates

16 h: Painel 2:  O fortalecimento da ação  política da sociedade civil  nos  CBHs e Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos para  o encaminhamento de propostas e soluções das demandas sociais com as águas.

·         Flávia Lilian: representação da sociedade civil no CBH Santo Antonio – MG.
·         Gustavo Gazzinelli: representação da sociedade civil no Conselho Estadual de Recursos Hídricos de Minas Gerais.
·         João Clímaco Soares de Mendonça Filho: representação da sociedade civil no Conselho Nacional de Recursos Hídricos.

17h: Café

17h15: Debates
18h: Atração Cultural

Atividades Paralelas:

16h: Apresentação da Peça de Teatro “O Príncipe da Floresta é o Sapo”, do Grupo de Teatro Pintando o Sete


Dia 27/10/2011 (quinta-feira)

11h: Visita ao Sitio do Físico

12h: Almoço

14h: Apresentação Jogral, com o grupo JOC da Paróquia Padre João Calábrio

14h30: Reunião com profissionais, entidades e instituições atuantes na gestão de recursos hídricos

16h: Plenária Final
           Aprovação da Carta de São Luis

18h: Atração Cultural

10 anos do FONASC-CBH são comemorados na rede

O FONASC-CBH e todos que compõem a instituição e fazem parte da rede sentem-se felizes com os 10 anos de luta na preservação de nossas águas, tornando públicas as políticas de recursos hídricos.


João e demais amigos, bom dia. 
Não há como esquecer o III Encontro Nacional dos Comitês de Bacias / Belo Horizonte / 2001. Enquanto rolava o coquetel de abertura, Lázaro Silva e Marcelo Alvim, organizadores e coordenadores do Fórum da Sociedade Civil, no CBH - Paraíba do Sul / SP, mobilizavam representantes da sociedade civil de outros estados para realização  de uma reunião de representantes da sociedade civil (paralela como sempre) à ser realizada no período noturno, no terraço do hotel, por solicitação do João Clímaco, representante do Consórcio Intermunicipal da Bacia da Pampulha BH/MG. No término da reunião estava instalado o FONASC, que após 03 dias de trabalho, encaminhou suas reivindicações a plenária do III ENCOB. 
Desde que foi instalada a primeira secretaria do FONASC (anexa) o companheiro João Clímaco, assumiu a missão de manter vivo o FONASC, enquanto cada um de nós em nossos estados e bacias, continuamos trabalhando para instalação e fortalecimento do Fórum da Sociedade Civil nas Bacias Hidrográficas, o que não tem sido fácil. Se é difícil organizar, subsidiar e manter um fórum da sociedade civil, na área de atuação dos CBHs, imaginem o Fórum Nacional da Sociedade Civil. Dificuldades que apresentei (pelo FONASC) no "Seminário Legislativo - Águas Minas II" (anexo pag 31).  
Apostando que, um dia, a sociedade civil construirá uma agenda e organograma, que tenha em suas bases os fóruns da sociedade civil nas bacias hidrográficas, com representações em fóruns estaduais e FONASC, formando uma grande rede de interlocutores, com objetivo de contribuir para gestão participativa, democrática e descentralizada dos recursos hídricos e; Considerando a experiência adquirida nesses 10 anos de militância, no CBH - Paraíba do Sul / SP, não poderia deixar de parabenizar as ações do FONASC, nesses 10 anos, e de seu grande guardião, o sociólogo e Agente político-social JOÃO CLÍMACO. PARABÉNSSSSSSSSSSS... 
Que o Senhor o conserve e seu exemplo de cidadania seja multiplicado pelas águas das bacias hidrográficas de nosso pais. 
Grande abraço.
Prof. Lázaro Tadeu Ferreira da Silva.Coordenador do Movimento Nascentes do Paraíba / SP. 

domingo, 16 de outubro de 2011

10 anos do FONASC-CBH: programe-se!

Nos próximos dias 25 a 27, o FONASC-CBH comemora seus 10 anos de atividades e luta em defesa dos rios e bacias hidrográficas do país. A programação contemplará desde debates e discussões sobre políticas hídricas até atrações culturais, como teatro e bumba-meu-boi.

Abrindo o encontro, haverá palestra magna com a procuradora regional da República da 3ª Região – SP, Sandra Akemi Shimada Kishi, que falará sobre a contribuição do Ministério Público para a luta da sociedade civil nas questões de gestão hídrica; em seguida, haverá apresentação cultural, quando os participantes de outros estados poderão conhecer o bumba-meu-boi, identidade cultural maranhense. 

A programação segue com painéis que debaterão as políticas de recursos hídricos e o papel dos comitês de bacias hidrográficas. O primeiro painel terá como tema “Desafios para a implementação da Política Estadual de Recursos Hídricos do Maranhão” e contará com a presença de Lúcio Macedo, doutor em Engenharia Ambiental e professor da UFMA e Uema; Edmilson Pinheiro, membro da ong Fórum Carajás; e Thereza Christina Pereira, vice-coordenadora nacional do FONASC-CBH.

Já o segundo painel, cujo tema é “O fortalecimento da ação política da sociedade civil nos CBHs e Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos para o encaminhamento de propostas e soluções das demandas sociais com as águas” será encabeçado por Flávia Lilian, da representação da sociedade civil no Comitê de Bacia Hidrográfica Santo Antônio (MG); Gustavo Gazzinelli, membro do Conselho Estadual de Recursos Hídricos de Minas Gerais; e João Clímaco Filho, coordenador nacional do FONASC-CBH.

Paralelamente aos debates, haverá programação infantil para as crianças pertencentes às comunidades onde o FONASC-CBH atua. Trata-se da peça “O Príncipe da Floresta é o Sapo”, que traz uma reflexão sobre a necessidade de se preservar os recursos naturais. O mote do espetáculo pode ser resumido na frase “Use seus cinco sentidos, pelo mesmo cinco segundos, em prol da natureza”, presente na narrativa. No elenco, estão 18 crianças de oito a 14 anos, membros do Grupo de Teatro Pintando o Sete, da escola Nossa Senhora da Conceição, da Cidade Olímpica.

Contemplando a proposta do evento de levar o debate ambiental para próximo da natureza, a programação do último dia do encontro acontecerá no Sítio do Físico, nas margens do Rio Bacanga. Lá, haverá mais debates sobre a questão da gestão dos recursos hídricos, além de apresentação de jogral, com o grupo de jovens da Paróquia Padre João Calábrio, da Cidade Operária, onde o FONASC-CBH também realiza ações.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Está chegando o evento comemorativo dos 10 anos do FONASC-CBH!


O Fórum Nacional da Sociedade Civil nos Comitês de Bacias Hidrográficas (FONASC-CBH) está comemorando 10 anos de luta em defesa das águas. Para tal, realizará um encontro comemorativo nos dias 25 a 27 deste mês, no Basa Clube e no Sítio do Físico, em São Luís. O momento é de celebração, mas também de reafirmação do compromisso e da missão social da entidade formada por voluntários, colaboradores e apoiadores que se aglutinam em todo o país, unidos pelo desejo comum de preservar rios e bacias hidrográficas brasileiras.

Nos últimos 10 anos, o papel do FONASC-CBH tem sido mostrar para a sociedade que água, política e cidadania andam juntas e que a falta de cuidados com rios e bacias levará populações inteiras à escassez de água, como já ocorre em diversas partes do mundo. Nessa perspectiva, a entidade vem realizando trabalhos de capacitação, articulação e mobilização da sociedade civil para que estes atores sociais atuem nos comitês de bacias hidrográficas de forma politicamente incisiva e cidadã. 

No Maranhão, o FONASC-CBH vem fazendo um trabalho expressivo já há oito anos, enfrentando desafios e dificuldades, mas entendendo a necessidade do estado de formar competências para melhorar e ampliar a atuação da sociedade civil na gestão das águas. A instituição entende a urgência de preservação da riqueza hídrica do estado, maltratada por anos de gestões sem compromisso ambiental. Por isso, deu-se a escolha do Maranhão como sede do encontro que marcará os 10 anos de atividades do FONASC-CBH em todo o país.

A realização do encontro no Maranhão será também um momento oportuno de troca de experiências entre organizações e cidadãos maranhenses e os demais representantes de entidades, setores e segmentos ambientais de outros estados, no sentido de efetivar a Política Estadual de Recursos Hídricos, consolidando o protagonismo da sociedade civil maranhense na implementação dessa política.

A proposta do Evento Comemorativo dos 10 Anos do FONASC-CBH é, portanto, fazer da ocasião festiva também um momento para discutir o papel dos Comitês de Bacias Hidrográficas na atual conjuntura das políticas públicas, além de uma maior participação da sociedade civil na Política Nacional de Recursos Hídricos, que determina pela Lei 9433/97 a gestão compartilhada, democrática e integrada das águas, o que implica dizer que estado e sociedade civil devem gerir e se responsabilizar igualmente pelo cuidado com os recursos hídricos nacionais. 

As inscrições para o evento estão abertas e podem ser feitas gratuitamente pelo site www.fonasc-cbh.org.br ou pelo email 10anos@fonasc-cbh.org.br. 



SERVIÇO
O Quê: Evento Comemorativo dos 10 anos do FONASC-CBH
Quando: 25 a 27 de outubro
Onde: BASA Clube (Calhau) e Sítio do Físico

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Entrevista de Thereza Christina, vice-coordenadora do FONASC.CBH, no programa Grandes Debates

A vice-coordenadora nacional do FONASC.CBH, Thereza Christina Pereira, esteve no programa Grandes Debates, da TV Comunitária de Curitiba, para falar sobre política de recursos hídricos, sobre os 10 anos do Fonasc e também sobre a atuação e os desafios enfrentados pela entidade no Maranhão.

Assista a entrevista completa:


   

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Memória FONASC.CBH: jornal do V ENFONASC

Você esteve presente no V Encontro Nacional do FONASC-CBH, no ano passado, na cidade de Curitiba (PR)? 
Se você não estava lá, pode ficar por dentro de tudo o que aconteceu, por meio do informativo do V ENFONASC disponibilizado em versão digital para download AQUI.

Vale a pena saber o que aconteceu no último encontro do Fonasc e se preparar para o próximo encontro que acontecerá nos dias 25 a 27 de outubro, em São Luís (MA).

"O FONASC DEFENDE O USO SUSTENTÁVEL E SOCIAL DA ÁGUA, O SEU SENTIDO DE DIREITO COMO ALIMENTO HUMANO E DE TODOS OS DEMAIS SERES VIVOS E FATOR DE UNIÃO DE POSSIBILIDADES PARA AS PESSOAS CRESCEREM NA LUTA PELO SEU SIGNIFICADO E POTENCIAL HUMANO" 
João Clímaco Filho (coordenador nacional do Fonasc)



terça-feira, 4 de outubro de 2011

FONASC-CBH presente no lançamento do Dia das Nascentes do Rio Preguiças




Conhecida por suas belezas naturais, pelos Lençóis Maranhenses e pelo Rio Preguiças, a cidade de Barreirinhas foi palco do lançamento do Dia das Nascentes do Rio Preguiças. O evento aconteceu no último dia 21 de setembro, data que marcará, todos os anos, o momento de lembrar a preservação deste importante rio do Maranhão. 

O evento faz parte do Projeto Revegetação das Nascentes do Rio Preguiças, realizado pelo Instituto de Agronegócios do Maranhão (Inagro) e patrocinado pela Petrobras, por meio do Programa Petrobras Ambiental. Na programação do dia, houve palestra da secretária municipal de Meio Ambiente, Isabela Pinho de Lucena, que falou sobre a importância da bacia hidrográfica do Rio Preguiças, além da presença de Thereza Christina Pereira, vice-coordenadora nacional do FONASC-CBH, convidada para explicar a política de gestão das águas, evidenciando a importância da participação de todos os atores sociais na preservação das bacias hidrográficas. 

Thereza Christina explicou o funcionamento da política nacional de recursos hídricos, evidenciando o seu caráter descentralizado e participativo, o que diferencia e particulariza a política das águas de todas as demais políticas nacionais, como saúde e educação, por exemplo. Ela falou ainda sobre a importância de a sociedade civil estar organizada e tomar para si o seu papel de cuidar das águas, papel este que é determinado por lei e elencou as formas como a sociedade pode se organizar. “Quando o Governo criou a Lei das Águas, ele criou dois lugares onde nós, enquanto sociedade civil, devemos estar para cuidar da água: são os conselhos estaduais de recursos hídricos e os comitês de bacias hidrográficas. No Maranhão, nós ainda não temos comitês, mas podemos considerar esse projeto como um pontapé inicial para a criação de um comitê ou da lagoa que é a nascente do Rio Preguiças ou do próprio rio como um todo”.

Ao todo, no Brasil, existem 180 comitês de bacias hidrográficas espalhados por todos os estados. Os comitês são a primeira instância de discussão dos assuntos relativos à água; um clube de mães, uma associação de moradores são exemplos de como a sociedade civil pode se organizar e pleitear a criação de um comitê de bacia hidrográfica. “É nós CBHs que as discussões sobre a água devem acontecer. Se ,por exemplo, houver um agricultor que vai fazer uma plantação de tomate e vai precisar usar a água do rio, é no comitê que será discutido como ele fará isso sem agredir o meio ambiente e sem prejudicar os demais”, destaca a vice-coordenadora do FONASC-CBH.

O coordenador do Projeto Revegetação das Nascentes do Rio Preguiças, Francisco Soares, explica a relevância de uma iniciativa como essa para o despertar da consciência ambiental e de uma forma sustentável de movimentar a economia local. De acordo com ele, até agora já foram realizados dois treinamentos com a comunidade, além da construção de um viveiro com 20 mil mudas. “A comunidade aprender a fazer as mudas que, além de serem utilizadas na revegetação das nascentes do rio, podem servir como fonte de renda também”, explica. 

Segundo Maria do Socorro Lima Silva, líder comunitária do povoado Vereda, a chegada do projeto na comunidade trouxe mudanças, mas ainda é preciso haver mudança de postura de muitos moradores. “Depois do projeto, a gente passou a cuidar mais dos rios, mas tem gente que ainda não entende essa necessidade. Mas, estamos fazendo o possível para que isso ocorra”, disse.

Bacia Hidrográfica do Rio Preguiças
O Rio Preguiças é o principal rio da hidrografia regional. Possui 6.750 km2 e 125 km de extensão, banha as cidades de Barreirinhas, Santo Amaro e Paulino Neves. Suas águas margeiam a sede e mais 55 povoados, desde a sua nascente, no município de Santana do Maranhão, até desaguar no Oceano Atlântico, ao lado dos Lençóis Maranhenses. Seus principais afluentes são: Cocal, Munim, Santa Rosa, São José dos Sacos, Santo Inácio, Fura Braço, Palmeira, Massangano e Juçaral. O Preguiças é um rio perene. Há mudança visível somente na cor de sua água; no inverno escurece, e no verão clareia.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Inscrições abertas!

Já estão abertas as inscrições para o Encontro Comemorativo dos 10 anos do FONASC.CBH.
Garanta a sua vaga!
Faça o download da ficha por esse link --> FICHA DE INSCRIÇÃO.

1. Clique em Download Now;
2. Espere os 15 segundos que a ficha demora para carregar;
3. Clique em Download file now.
4. Salve a ficha, preencha e envie para o email 10anos@fonasc-cbh.org.br

Se você preferir, envie um email para esse endereço e solicite uma ficha de inscrição que nós enviaremos para você.

As inscrições são gratuitas!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Vem aí os 10 anos do Fonasc!


Nos dias 25 a 27 de outubro, São Luís sediará o Evento Comemorativo dos 10 anos do FONASC.CBH. Serão três dias de debates e discussões acerca da questão da água, da situação dos nossos rios, do que todos nós estamos fazendo e ainda podemos fazer em defesa das águas.

Além da comemoração, os 10 anos do Fonasc marcam também um momento de avaliar o que foi conquistado pela entidade nesse período, desde a articulação da sociedade civil em torno da temática das águas até a criação de Comitês e Conselhos.

"A missão do Fonasc é monitorar, acompanhar as políticas estaduais e nacional de recursos hídricos e articular, mobilizar, capacitar as entidades e cidadãos para uma melhor atuação pelas águas e rios, estimulando a afirmação cidadã frente ao processo de mercantilização da água dentro e fora dos colegiados de gestão (Comitês, Conselhos) das águas no país".
(João Clímaco Filho - coordenador nacional do Fonasc) 

Não perca o Evento Comemorativo de 10 anos do Fonasc!
Construindo pactos sociais para o uso sustentável de nossas águas.


terça-feira, 20 de setembro de 2011

O encontro já é notícia

As águas vão rolar... 
Encontros vão discutir papel dos Comitês de Bacias e uma maior participação da sociedade na política de recursos hídricos do País 

por Raimundo Boges
(O Imparcial - 09/09/2011)

A questão da água começa a ocupar um espaço importante no Maranhão. Neste sábado e domingo, em Açailândia, acontece a 11ª. Romaria da Terra e da Água, organizada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil(CNBB), que tem como lema Terra, Água, Direitos: Resistiir, Defender e Construir, e como um dos principais objetivos o enfrentamento à ilusão dos grandes projetos, que vem causando muitos prejuízos sociais e ambientais no Estado. O tema da água volta à pauta em outubro quando dois eventos de âmbito nacional trazem para São Luís a discussão sobre o papel dos Comitês de Bacias Hidrográficas e a participação da sociedade civil nas decisões que afetam o futuro das águas no Brasil. 

Um destes eventos, que será realizado entre os dias 25 a 27 de outubro, no Basa Clube ( Av. dos Holandeses) comemora os 10 anos do Fórum Nacional da Sociedade Civil nos Comitês de Bacias Hidrográficas ( FONASC.CBH), que vem desenvolvendo um importante papel no sentido de alertar contra os descaminhos da política nacional de recursos hídricos e de mobilizar e capacitar representantes da sociedade civil para uma atuação mais qualificada junto aos Comitês de Bacias. O coordenador nacional do FONASCH, o sociólogo João Clímaco, revela, nesta entrevista, que apesar de ser um dos Estados com a maior disponibilidade de recursos hídricos, o Maranhão é um dos mais atrasados em relação a aplicação da legislação e reclama da forma equivocada como a questão da água vem sendo tratada, como um bem econômico e não como um direito básico, o que vem gerando, entre outras conseqüências, o aumento dos desastres hídricos. Confira, abaixo, trechos da entrevista. 

NO ALTAR DOS COMITÊS 
"Historicamente vendeu-se a idéia de que os Comitês de Bacias seriam o lócus privilegiado onde se resolveria todas as contradições sociais e as diferenças de classe, de credo e de religião e todo mundo seria convergido para o parlamento das águas...Mas isso foi uma ilusão . Na sociedade capitalista o que temos visto é que criaram um formato institucional onde os movimentos sociais,as organizações de direito difusos, os cidadãos que são maioria, são representados por duas, três ou quatro entidades, no máximo, dentro destes Comitês...O que acontece é que isso não propicia a negociação e estamos ali praticamente para referendar decisões de outros campos políticos, sobretudo os interesses encastelados no Estado, que muitas vezes representa o setor econômico. 
Precisamos mudar isso porque não podemos ficar numa lógica onde as pessoas não negociam sobre a água como espaço do crescimento da política e então colocam-nos em um altar figurativo onde as decisões não são as demandas da sociedade, de quem está sofrendo na carne falta de água, poluição, falta de saneamento e a degradação das bacias e seus rios.. 

VISÃO DO SISTEMA 
São 10 anos em que o FONASC está batendo na tecla de que esse sistema de gestão, do jeito que está, vem sendo responsável pela destruição de nossos rios na medida que prioriza uma visão economicista, burocrática e tecnocrática, que não integra e não incorpora os preceitos da visão da água como recurso ambiental, como bem fundamental para a sociedade. Como estamos diretamente envolvidos com essas demandas da sociedade, vemos os espaços políticos como espaços de conquista de direitos, de até possibilitar, através da água, a reforma para evolução das relações políticas, a modernização do Estado. 
Todos os estudos científicos e técnicos mostram que teremos um stress hídrico no Maranhão a médio prazo, um Estado com grande disponibilidade de recursos, mas que está implementando um modelo de desenvolvimento sem considerar que a água é fundamental nos seus aspectos de uso múltiplo. Por isso, estamos fazendo um esforço para motivar esse clima de pedagogia política, de mobilização da sociedade para que ela ocupe seu espaço de maneira competente e exija que o Estado regule o uso da água garantindo o seu uso múltiplo, de forma organizada como prevê a lei. 

QUEM PAGA
Temos visto que é impossível fazer cidadania com as águas ou trabalhar a dimensão da política e da participação cidadã com as águas, se você as engana. .Estamos observando que os políticos não estão tendo essa visão e não priorizam iniciativas contra os desastres hídricos que se evidenciam como se a água estivesse reagindo como vida à dimensão política pequena que se está tendo em relação a ela...E quem está pagando isso são as populações mais carentes, as periferias, que na verdade estão pagando o preço pelo mau uso e pela má gestão da água...Quando você adota uma política que na sua essência deveria consertar isso e faz exatamente o contrário, está fazendo uma deslegitimização do processo da construção cidadã em função de interesse menores, de interesses econômicos localizados. Essa dimensão holística integradora da água e da Bacia, que foi contemplada na lei, não está sendo respeitada. Essas contradições se evidenciam na medida em que a gente vai atuando nos Comitês e vendo esta atitude do político tradicional e seus subordinados , que ainda não entenderam a dimensão da política da água como fator integrador de convergência, mas sim como meio de desagregar, de criar conflitos . Nosso papel é mostrar essa dimensão e fazer com que haja uma agregação de valores novos que a água pressupõe para poder se mexer com ela...O que a gente vê é exatamente o contrário.

DISPUTA
Há uma lógica da infinitude dos recursos naturais, que permeia o pensamento das pessoas, de todas as classes sociais. Em qualquer país que existe carência de recursos, você sente que a população já tem um olhar mais responsável, enquanto no Brasil, como somos tão ricos, a idéia é que se pode fazer o que se quiser, até sustentar essa corrupção generalizada que o País tem..Somos tão ricos , porque dá também para todo mundo fazer a má política, se dar bem, e o povo continuar aí vendo a sua água se deteriorando na medida que é interessante para alguns sua escassez para o mercado. ...Mas isso pode está mudando... Como? ...Já estamos vivendo conflitos localizados onde há uma disputa pelo uso da água, projetos e expansão de grandes conglomerados que estão disputando a água com as populações carentes...As pessoas continuam agindo como se tivéssemos toda água do mundo e ela é finita...E não adianta ter água se não se pode beber...Existem estados da federação em que o stress hídrico não é por falta de água, mas porque ela está poluída ou foi apropriada por alguma atividade de maneira equivocada ,o que exige que um sistema de regulação seja implantado dentro dos princípios previstos em lei.

CHAPA BRANCA
O que se vê é uma ascensão do poder burocrático, do poder tecnocrático, dos grupos de interesse, das corporações, que se autopromovem, ainda mais quando o Estado não tem uma postura estratégica e afirmada em relação a água, aí se cria um ambiente de poder paralelo que tenta esvaziar a visão colegiada e a tomada de decisão compartilhada. Então as outorgas que são emitidas para seu uso pelo Estado,deveriam ser questionadas pelos Comitês, que muitas vezes já se tornaram chapa branca por conta de uma estrutura que tenta isolar as demandas da sociedade através de pouquíssima representação neles contidas. Então há uma tendência, por motivações econômicas e políticas, de artificializar a tomada de decisão sobe a água para que se mantenha uma aparência de que as coisas estão acontecendo de maneira politicamente aceitável, quando na verdade não estão. Em treze anos de Política Nacional de Recursos Hídricos, são poucos os casos no Brasil que essa política está tendo efeito na qualidade e quantidade de água. E isso não é por aviso do nosso segmento. O Estado está inapropriado para a dimensão conceitual e até revolucionária da água como um meio para se unir as pessoas e modernizar as instituições . A água na verdade é um bem espiritual, econômico, social, poético, um alimento humano que serviria para unir as pessoas...Será se vamos esperar acontecer mais tragédias para conseguir nos unir pelo que ela nos ensina? 

O PAPEL DA SOCIEDADE
O FONASCH surgiu dentro de um Encontro de Comitês , quando identificamos que o Comitê por si só é uma abstração, um arranjo institucional que não iria resolver o problema se não tivesse uma efetiva participação social e abrangesse as demandas da sociedade. Então criamos o Fórum formados por pessoas e cidadãos que representa a concretude da dimensão sociopolítica da água . A sociedade está sendo o tempo todo instada a denunciar, a mostrar que os Comitês nestes 10 anos estão ficando enfraquecidos por falta de uma decisão política maior dando margem ao protagonismo de grupos setoriais corporativos que se apropiaram da política de recursos hídricos. E temos feito o nosso trabalho de capacitar, articular, mobilizar cidadãos para que atuem nos Comitês de maneira politicamente mais incisiva, mais cidadã frente a essa realidade . Não podemos pensar que nenhuma instância ou norma em si já vai resolver o problema, mas por sua vez não podemos deixar que nos seus aspectos positivos ela seja manipulada para dar margem ao uso econômico de um bem que não é apenas econômico, mas é direito básico. O FONASC começou como um grito de rebeldia dentro de um encontro de comitês, no início éramos tidos como incomodo a essa idéia falsa de um parlamento das águas, mas todas as nossas premissas infelizmente, estão sendo evidenciadas .... Nosso papel tem sido mostrar para a sociedade brasileira que água, política, cidadania andam muito juntos e que se não tomarmos cuidado vamos ver o pobre não ter direito para tomar sua própria água e os rios desviados para atividades sem respeitar seus usos múltiplos. 

CELEBRAÇÃO
Estamos celebrando estes 10 anos com o pouco que se conseguiu, mas sempre com a fé e esperança de que o dia a dia da luta é que nos realimenta para mostrar que estamos no caminho certo e cumprido uma função social imensurável, uma missão social muita vezes formada por voluntários. Nós não somos operadores da política para o Estado . O FONASC é formado por pessoas simples que vão se juntando, trocando informação tentando interferir na tomada de decisão sobre as águas. Apesar de todo nosso esforço, aqui no Maranhão temos enfrentado desafios por conta da atitude tradicional, excludente e discriminadora do Estado que deveria ser um lugar que deveria ser o espaço privilegiado da expressão da cidadania, mas que na verdade, é um espaço onde as elites políticas tradicionais demonstram que tem medo da sociedade, e daí fazem desse espaço, local onde se desorganiza a sociedade para se manter equívocos e contradições, que mais cedo ou mais tarde a água não perdoará, ela vem e mostra o que está errado".